Vale a pena existir um Galaxy FE?

Refletimos no que significa o acabar da linha FE da Samsung e que alternativas apresenta a marca.
Escrito por Diogo Simões e
4 mins de leitura
Vale a pena existir um Galaxy FE?
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Com as notícias a dar conta de um novo Galaxy 21 FE 4G com um processador inferior e os rumores de futuras gamas FE completamente canceladas, faz sentido a empresa continuar com esta linha?

Quando é que tudo começou?

Foi no rescaldo de uma gama S20 desastrosa em termos de performance e da câmara - especialmente no modelo Ultra -, que a Samsung apostou no lançamento de um Galaxy S20 FE.

O equipamento foi um sucesso e viu a empresa prometer mais modelos neste segmento. Isso acabou por chegar nos tablets, com o aparecimento de tablets FE como o S6 FE de 2022 ou o Tabl S7 FE, lançado em 2021. No caso do S20 FE, a Samsung pedia 680€ num equipamento que reunia o melhor da gama S20 e lhe dava um preço mais apelativo (o preço base do S20 era de 929,90€).  Tudo começava no corpo compacto e em plástico, duas lentes de 12MP e uma de 8MP que permitia zoom ótico de 3x e ainda uma câmara de 32MP frontal. O equipamento era alimentado por uma bateria de 4500mAh e com um ecrã AMOLED. O melhor? A promessa, na altura, de três anos de atualização de sistema operativo e, para a Europa, da presença do processador Qualcoom.

Entra a gama S21

As coisas na gama seguinte, lançada em 2021, acabaram por apresentar uma marca interessada em refinar tudo o que correu mal na linha S20. Sendo que, apesar de manter os mesmos preços do ano anterior - e que continuaram na linha S22 - a empresa, para os seus modelos base, adotou uma construção em plástico e com poucas alterações nas câmaras.

As grandes alterações ficaram reservados para o S21 Ultra, mas aqui as coisas ficam confusas. Porquê? Bem, se a construção plástica do S21 (de €879) era em plástico e as alterações ao hardware eram mínimas, como se justificaria um Galaxy S21 FE a ser lançado a um preço inicial de 779,90€, que teriam ainda mais cortes do S21 e a um mês dos novos S22? O processador Snapdragon compensaria isto? Certamente não. Tampouco as câmaras, idênticas às de toda a série S20 e sua variante FE.

Entra a linha S22

Com o S21 FE a ser lançado em janeiro e a gama S22 a ser apresentada em fevereiro, o propósito de um equipamento FE perdeu o seu apelo. Especialmente se tivermos em conta os preços base da linha S22 e que entregou, no modelo base, o S22, aquilo que os utilizadores realmente queriam (construção em vidro e câmaras renovadas) e com uma diferença somente de 100€ para um hardware completamente renovado.

A janela de lançamento da empresa não ajudou neste S21 FE, acrescendo o facto de os preços de 2020 se revelaram deveras diferentes em 2021 e 2022 com a Samsung a tornar os equipamentos mais baratos. A proposta da gama Fan Edition perdeu o seu fôlego um ano depois e, pelo que se vê, não parece estar a justificar-se em 2022. Apesar da empresa ter entregue um S20 FE inesquecível, o mesmo não aconteceu no S21 FE.

Temos outras gamas da Samsung para dar resposta

Apesar de, para muitos, o apelo de um equipamento da gama S poder ser superior ou da gama A, esta última tem ganho cada vez mais destaque pela marca - com eventos dedicados desde o ano passado - e com a promessa de quatro anos de atualizações de sistema operativo para elementos selecionados.

Exemplo é o novo A53, que por 479,90€ dá ao consumidor uma entrada no ecossistema da marca - algo que a Samsung tentou com o seu FE da forma que a Apple tenta com o seu SE - e com ecrã AMOLED de 6.5 polegadas a 120Hz, câmara principal de 64MP com estabilização ótica e uma bateria de 5000mAh. As funcionalidades não ficam esquecidas, tendo este modelo a capacidade de se contectar ao Windows e com as funcionalidades exclusivas da Samsung.

A empresa falhou o seu ciclo de lançamentos

Com diversas marcas chinesas a procurarem o destaque na gama de preço dos 600-700€, o Galaxy S21 FE revelou-se num desastre quanto ao seu sentido de oportunidade.

Apesar do seu preço, quando lançado com uma diferença de 100€ de um equipamento completamente renovado (o S22) e com uma inflação que atinge diversos segmentos de mercado, a escolha entre um S21 FE e S22 era demasiado penosa e não se revelava numa escolha 100% fiável para o consumidor.

Todavia, e apesar de um S22 FE poder surgir e corrigir o problema da empresa ficar sem um equipamento que não os dobráveis no final do ano, esta teria de apresentar um equipamento com maior sentido de oportunidade e com os compromissos habituais e que fizessem os consumidores apreciarem a diferença de preço para um S22. O certo é que, olhando para o que a empresa fez, um S22 FE possivelmente traria características deveras semelhantes ao S21 FE e que não justificariam o seu preço.

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